Porque Os Jets Nao Conseguem Voar Como Os Eagles?

Arthur Irwin with an article in Portuguese on what the Jets can learn from the Eagles…

Eu não vou ficar aqui comparado os tamanhos das franquias em quesitos de história já que penso que isso seja uma discussão pessoal e regada a muito ego, temos de nos deter no agora. Porque que o New York Jets persegue a tanto tempo o New England Patriots e não consegue sequer encostar no time de Boston? O Buffalo Bills passou por uma mudança de dono recente e já está crescendo e o Miami Dolphins numa troca desvairada de coaches corriqueiramente não tem como dar certo a curto prazo e mesmo assim, o time da Flórida, já incomodou e era apontado como o time que mais poderia incomodar os Patriots.

Os Jets implementam filosofias defensivas uma atrás da outra, sendo baseado nesse sistema que o time chegou as finais de conferência no final da década passada. Contudo, a NFL tem a maior inter-temporada talvez do esporte, quando você tem um gênio estrategista como o Bill Bellichick do outro lado o seu time (principalmente na mesma divisão) será exaustivamente estudado. O Jets não consegue se impor mesmo dentro do Met Life Stadium, apesar de escolhas sucessivas na DL tentando pressionar o QB pouco móvel dos Patriots o time não encaixa. Isso porque o corpo de LB dos Jets não é nada demais. Não se pressiona o QB com a DL, mas sim com o pass rusher do qual a DL é uma parte, contudo a muito tempo o Jets não tem um Edge ou OLB de competência que coloque medo. Com isso, o ataque de New England vai minando a defesa dos Jets, colocando ainda mais o ataque nova-iorquino em campo, e nesse ponto, o talento não aparece, o Jets não tem um QB confiável desde Chad Pennington que sofreu demais com lesões. Nesse sentido, mesmo a defesa de New England não tendo talentos individuais tem um sistema bem mais definido e se sobressai ao ataque dos jatos.

Não consigo contar nos dedos, o número de vezes que a defesa do Jets começa parando o ataque de New England, mas ao longo do jogo a defesa vai cansando com campanhas longas do ataque patriota e já no terceiro quarto o rendimento cai bastante e a dupla Brady-Bill vai triturando os Jets.

Esses problemas não vêm do ano passado ou das últimas duas, três temporadas, vem há muito tempo se repetindo temporada após temporada. Os Jets não conseguem se movimentar dessa opção por causa de um excessivo conservadorismo de seus mandatários. Para você que é fã a mais tempo dos Jets basta se fazer a seguinte pergunta: Qual foi a última vez que você viu um movimento agressivo do Jets, seja na Free Agency seja no draft? E para deixar ainda mais clara a comparação basta lembrarmos a troca do Eagles com o Cleveland Browns no draft de 2015, em que o time da Philadephia deu a escolha n° 8 e as escolhas de segunda e terceira rodada daquele ano e a primeira e segunda escolha do draft desse ano em troca da segunda escolha geral que pertencia a equipe de Ohio. A troca poderia dar errado? Sim, assim como todos acharam que aconteceu quando Carson Wentz, escolhido nessa segunda escolha, não foi bem no ano passado. Contudo, eu não vou me esquecer das palavras de Howie Roseman, vice-presidente executivo dos Eagles: “É duro de você conseguir algo sem correr um risco”. O Jets vem mostrando que o inverso também ocorre. O time não corre riscos em suas trocas e com isso continuamos sendo uma torcida bairrista visando apenas incomodar os Patriots na divisão, isso quando não se pensa apenas em Wild Card.

Evidentemente, que não sou todas as divisões que tem um Bill como Head Coach, ou seja, que consiga ter um treinador que aplique um sistema vencedor com competência aproveitando talentos de late rounds, mas as equipes da AFC East (e quem não diria da AFC como um todo) não podem parar e esperar que o Bill se aposente para voltarem a ser competitivos.

Não será pegando jogadores da CFL, acumulando cap com administração (quase que empresarial) dos salários e contratos do elenco que irá mudar isso. Se muda isso: primeiro com um sistema ofensivo que perdure e não que demita coordenadores ofensivos ano sim outro também; que o time seja agressivo na Free Agency, ou seja, sofrendo riscos e tendo o aval da família Johnson para permanecer na equipe; sendo agressivo no draft, fazendo apostas sem perder a razão, mas conservando a ousadia que não tem passado no lado verde de Nova Iorque.

E apenas para não dizer que só falei de exemplos com sucesso, destaco aqui o exemplo dos Bears que apostaram em Mitch Trubisky na segunda escolha geral do último draft, o QB não fez muita coisa em seu primeiro ano, mas agora que a equipe tirou John Fox do comando técnico da sua franquia, o time tenta arriscar porque cansou de ficar a sombra de Vikings e Packers, principalmente, na NFC North, e essa a maneira correta de pensar. Destaco também, contudo, que concordo com a forma de arriscar dos Bears, mas não com arriscar em Mitch, nesse ponto acho que foi um erro de scout que certamente contribuiu para essa ser a gota d’água de Fox.

O Jets precisa voar, mas para voar antes você precisa se jogar e acreditar nas suas apostas.  

Photo Credit: NewYorkJets.com